Divórcio Consensual e Litigioso: Diferenças, Custos e Prazos
O divórcio consensual e o litigioso diferem em custos, prazos e procedimentos. Entender as alternativas disponíveis ajuda o casal a tomar a decisão mais adequada para sua situação e a minimizar o impacto emocional e financeiro da separação.
Fundamentos Legais do Divórcio no Brasil
O divórcio no Brasil é regulado principalmente pelo Código Civil (artigos 1.571 a 1.582) e pelo Código de Processo Civil de 2015. A Emenda Constitucional n.º 66/2010 foi um marco histórico ao eliminar o requisito de prévia separação judicial ou comprovação de culpa para o divórcio, tornando possível o divórcio direto sem cumprimento de prazo mínimo de casamento.
Atualmente, portanto, qualquer cônjuge pode requerer o divórcio a qualquer momento, sem necessidade de alegar motivos ou de aguardar prazos. Essa mudança simplificou enormemente o processo e reduziu o litígio em muitos casos.
O divórcio extingue o vínculo conjugal e dissolve a sociedade conjugal, colocando fim às obrigações recíprocas dos cônjuges. Questões como guarda dos filhos, alimentos e partilha de bens podem ser resolvidas na própria ação de divórcio ou em ações autônomas posteriores.
Divórcio Consensual: Quando e Como Funciona
O divórcio consensual ocorre quando os dois cônjuges concordam com a dissolução do casamento e estão de acordo sobre todos os seus efeitos: partilha de bens, guarda e alimentos para os filhos, alimentos entre cônjuges (se aplicável) e eventual uso do nome de casado.
Existem dois caminhos para o divórcio consensual:
Divórcio extrajudicial (cartório): regulamentado pelo artigo 733 do CPC/2015, pode ser realizado diretamente no Cartório de Notas, desde que o casal não tenha filhos menores ou incapazes. O procedimento exige apenas a presença dos dois cônjuges e seus advogados (que podem ser o mesmo, se não houver conflito de interesses), além do Escritura Pública de Divórcio. É o procedimento mais rápido e menos custoso, podendo ser concluído em poucas semanas.
Divórcio judicial consensual: necessário quando o casal tem filhos menores ou incapazes, pois o Ministério Público deve ser intimado e o juiz precisa homologar o acordo. Mesmo sendo judicial, é um procedimento simplificado com um único ato processual (audiência de homologação), podendo ser concluído em alguns meses.
Os custos do divórcio extrajudicial envolvem emolumentos do cartório (calculados sobre o valor dos bens partilhados, com tabelas fixadas pelos estados) e honorários advocatícios. Para partilhas simples, o custo total costuma ser inferior ao de um processo judicial.
O divórcio em cartório é possível para casais sem filhos menores: é mais rápido, menos custoso e evita o desgaste do processo judicial.
Divórcio Litigioso: Quando Ocorre e Seus Desafios
O divórcio litigioso ocorre quando há conflito entre os cônjuges sobre qualquer aspecto da dissolução do casamento: discordância sobre a partilha de bens, questões de guarda dos filhos, alimentos ou outros pontos. Nesse caso, o divórcio é necessariamente judicial e pode se prolongar por meses ou anos, dependendo da complexidade das questões envolvidas.
O processo judicial de divórcio litigioso tramita perante a Vara de Família da comarca de domicílio do cônjuge que estiver na companhia dos filhos menores, ou da última residência do casal, conforme o artigo 53 do CPC/2015.
Ao longo do processo litigioso, o juiz pode estabelecer medidas provisórias sobre:
- Guarda provisória dos filhos;
- Alimentos provisórios para os filhos e eventualmente para o cônjuge mais vulnerável;
- Uso do lar conjugal durante o processo;
- Administração dos bens do casal.
O processo só terminará com a sentença judicial que decretará o divórcio, homologará a partilha de bens, fixará a guarda definitiva e os alimentos. Se as questões patrimoniais forem muito complexas, podem ser remetidas a uma ação autônoma de dissolução parcial de sociedade ou de inventário, conforme o caso.
Custos Comparativos e Aspectos Práticos
A diferença de custo entre as modalidades pode ser expressiva:
Divórcio extrajudicial: emolumentos cartorários (variáveis por estado e pelo valor dos bens, em geral entre R$ 500,00 e R$ 3.000,00) mais honorários advocatícios. Prazo: dias a semanas após reunir a documentação.
Divórcio judicial consensual: custas processuais (variáveis por estado, em geral entre R$ 300,00 e R$ 1.500,00) mais honorários advocatícios de dois advogados (ou um advogado conjunto quando não há conflito). Prazo: semanas a poucos meses.
Divórcio litigioso: custas processuais, honorários de dois advogados (obrigatoriamente distintos), eventuais custos de perícia para avaliação de bens, laudos psicológicos para questões de guarda e demais gastos processuais. Prazo: meses a anos. Em casos complexos com recursos, pode ultrapassar 5 anos. Para mais informações, veja nosso artigo sobre união estável: direitos, deveres e diferenças do casamento.
Independentemente da modalidade, a fase mais delicada costuma ser a partilha de bens, especialmente quando há empresa familiar, imóveis financiados ou bens de difícil avaliação. Nessas situações, a assessoria de um advogado experiente em direito de família faz diferença significativa no resultado. Para questões relacionadas ao divórcio consensual passo a passo, veja divórcio consensual: passo a passo.
Perguntas Frequentes
O cônjuge pode se recusar ao divórcio e impedir a dissolução do casamento?
Não. Com a EC n.º 66/2010, o divórcio é um direito potestativo de qualquer cônjuge: basta a vontade de um para que o casamento seja dissolvido. Se um dos cônjuges se recusar a cooperar, o outro pode ajuizar ação unilateral de divórcio litigioso, que será decretado pelo juiz independentemente da concordância ou discordância do outro. O que pode ser litigioso são os efeitos do divórcio (partilha, guarda, alimentos), não a dissolução em si.
Qual é o prazo médio para um divórcio consensual em cartório?
Com toda a documentação em mãos e os acordos já definidos entre o casal, o divórcio extrajudicial pode ser concluído em 1 a 3 semanas. O tempo depende principalmente da disponibilidade de agenda do cartório, do prazo para obtenção das certidões exigidas e da rapidez na assinatura pelos cônjuges. É o procedimento mais ágil disponível para casais sem filhos menores.
É possível converter o divórcio litigioso em consensual durante o processo?
Sim, a qualquer tempo durante o processo as partes podem chegar a acordo e transformar o divórcio litigioso em consensual. O juiz homologará o acordo e encerrará o processo. Essa conversão é encorajada pelos magistrados e pode ocorrer inclusive em audiências de mediação e conciliação previstas no CPC/2015, que são etapas obrigatórias na maioria das ações de família.
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