Transferência provisória: TST abre debate público em maio
O Tribunal Superior do Trabalho marcou para 26 de maio uma audiência pública sobre os critérios que definem quando a transferência de um empregado é provisória, condição exigida para o pagamento de adicional previsto na CLT.
O que está em discussão no Tribunal Superior do Trabalho
A mais alta corte trabalhista do país vai reunir especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para debater um tema que afeta milhares de trabalhadores em todo o Brasil: o adicional de transferência. A questão central envolve definir com precisão o que caracteriza uma mudança temporária de local de trabalho, diferenciando-a de uma transferência definitiva.
Na prática, isso significa que o resultado dessa audiência pode estabelecer regras claras sobre quando o empregador é obrigado a pagar o adicional de 25% sobre o salário do trabalhador transferido. Atualmente, a CLT prevê esse direito no artigo 469, paragrafo 3o, mas a falta de critérios objetivos gera divergências entre juízes e tribunais regionais em todo o país.
O debate ocorrerá sob a sistemática de recursos repetitivos (Tema 93), um mecanismo que permite ao tribunal fixar uma tese vinculante. Isso quer dizer que a decisão final servirá como orientação obrigatória para todas as instâncias da Justiça do Trabalho, uniformizando o entendimento sobre o assunto. Esse tipo de julgamento é reservado para questões que provocam grande volume de processos com decisões contraditórias, o que demonstra a relevância prática do tema para o mercado de trabalho brasileiro.
Como participar da audiência pública
Quem deseja contribuir com o debate pode se inscrever como expositor ou ouvinte. O prazo para manifestação de interesse vai de 13 a 30 de abril de 2026, exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado pelo tribunal. Pedidos feitos por outros canais, como peticionamento nos autos, não serão aceitos.
A intenção do relator é ampliar o debate para além do meio estritamente jurídico. A convocação busca reunir profissionais que possam apresentar contribuições técnicas, contábeis, administrativas e econômicas. Na prática, isso abre espaço para que contadores, economistas, gestores de recursos humanos e representantes sindicais também levem suas perspectivas à audiência.
Para trabalhadores que já passaram por situações de transferência, a audiência representa uma oportunidade de ver suas experiências refletidas no debate institucional. Muitos profissionais enfrentam dificuldades para comprovar o caráter provisório de uma mudança de cidade, especialmente quando o empregador alega que a transferência é definitiva para evitar o pagamento do adicional. A ausência de parâmetros claros na legislação faz com que cada caso dependa da interpretação individual do juiz, gerando resultados imprevisíveis para ambas as partes.
A decisão do tribunal servirá como orientação obrigatória para todas as instâncias da Justiça do Trabalho no país
Impacto prático para trabalhadores e empresas
A fixação de critérios claros pelo tribunal tende a reduzir a insegurança jurídica que envolve as transferências de empregados. Hoje, um trabalhador transferido para outra cidade pode receber o adicional em um tribunal regional e ter o pedido negado em outro, dependendo da interpretação do juiz sobre o caráter provisório da mudança.
Com uma tese vinculante, tanto empregados quanto empregadores terão maior previsibilidade. Para o trabalhador, ficará mais claro em quais situações ele tem direito ao adicional de 25%. Para a empresa, será possível planejar transferências com mais segurança, sabendo antecipadamente quais obrigações financeiras decorrem da decisão. Quem atua com prazos de ações trabalhistas sabe que a uniformização de entendimentos evita litígios prolongados e custos desnecessários para ambas as partes.
O tema também interessa a profissionais que atuam em regime de trabalho intermitente, uma vez que a definição de provisoriedade pode influenciar outros debates sobre vínculos temporários e seus reflexos remuneratórios. Empresas que costumam deslocar equipes entre filiais ou obras precisarão reavaliar suas políticas internas de mobilidade à luz do que for decidido.
A expectativa é que a audiência pública traga subsídios para que o tribunal construa uma decisão bem fundamentada, capaz de pacificar um tema que gera milhares de processos a cada ano na Justiça do Trabalho. O julgamento final deve ocorrer nos meses seguintes à audiência, após a análise de todas as contribuições recebidas durante o evento.
Perguntas Frequentes
O que é o adicional de transferência previsto na CLT?
Trata-se de um acréscimo de 25% sobre o salário do empregado que é transferido provisoriamente para outro local de trabalho. O direito está previsto no artigo 469 da Consolidação das Leis do Trabalho e só se aplica quando a mudança não é definitiva. A discussão no tribunal busca justamente definir critérios objetivos para essa distinção.
Quem pode participar da audiência pública convocada pelo tribunal?
A audiência está aberta a autoridades, especialistas e qualquer pessoa que possa contribuir com esclarecimentos técnicos sobre o tema. A inscrição deve ser feita exclusivamente por formulário eletrônico entre 13 e 30 de abril de 2026. Tanto expositores quanto ouvintes precisam se cadastrar dentro do prazo estabelecido pelo relator.
Como a decisão sobre recursos repetitivos afeta processos em andamento?
Quando o tribunal fixa uma tese sob a sistemática de recursos repetitivos, ela se torna vinculante para todas as instâncias da Justiça do Trabalho. Isso significa que processos em andamento que tratem do mesmo tema deverão seguir o entendimento estabelecido, reduzindo divergências entre tribunais regionais e acelerando a resolução dos casos pendentes.
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