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Publicidade de apostas: o que muda com as novas regras

Novas regras federais passam a exigir advertências em toda propaganda de apostas e proíbem táticas que estimulam o jogo, com validade a partir de 17 de julho.

A publicidade das casas de apostas online, as chamadas bets, entra em uma fase mais rígida. O Ministério da Fazenda, parte delas em conjunto com o Ministério da Justiça, publicou em 10 de julho de 2026 duas portarias que reorganizam o que pode e o que não pode aparecer nos anúncios do setor. As medidas começam a valer em 17 de julho e alcançam propagandas em televisão, rádio, internet, redes sociais e eventos patrocinados.

O objetivo declarado do governo é conter o avanço do endividamento ligado ao jogo e proteger quem tem mais chance de se prejudicar, como jovens e pessoas em situação financeira frágil. As portarias regulamentam a lei que autorizou as apostas de quota fixa no país (Lei 14.790, de 2023) e detalham como a propaganda desse mercado bilionário deve se comportar.

O que as novas portarias determinam

As regras partem de uma constatação simples. A propaganda de apostas se espalhou por estádios, camisas de times, transmissões esportivas e perfis de influenciadores, muitas vezes associando o jogo à ideia de sucesso, renda fácil ou virada de vida. O governo passa a tratar esse tipo de mensagem como abusivo.

A partir da vigência, toda empresa que quiser anunciar precisa estar devidamente autorizada a operar no Brasil. Plataformas sem licença ficam proibidas de divulgar seus serviços, e a responsabilidade se estende a quem veicula o anúncio. Emissoras, agências de publicidade e sites que exibirem propaganda de operadora irregular também respondem pela divulgação, o que fecha o cerco por todos os lados da cadeia.

O Código de Defesa do Consumidor já considera abusiva a publicidade que se aproveita da vulnerabilidade do público, sobretudo de crianças e adolescentes. As portarias dão contornos concretos a esse princípio no ambiente das apostas, transformando diretrizes gerais em obrigações específicas e fiscalizáveis.

Advertências obrigatórias em cada anúncio

O ponto mais visível para o público é a exigência de avisos de alerta, no mesmo estilo das tarjas já usadas em campanhas de cigarros, medicamentos e bebidas alcoólicas. Cada peça publicitária de operadora autorizada terá de exibir uma advertência clara sobre os riscos do jogo.

São três as mensagens previstas, que passam a circular assinadas pelo próprio governo: “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”, “Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência” e “Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento”. A ideia é que o consumidor veja, dentro do mesmo anúncio que o convida a jogar, um lembrete de que a atividade envolve perda provável de dinheiro e risco de vício.

A lógica de comunicação muda de forma profunda. Antes, o setor podia vender apenas a promessa de ganho e emoção. Agora, a mesma propaganda que exibe prêmios generosos precisa carregar, com destaque, a informação de que apostar tende a esvaziar o bolso de quem joga.

A publicidade de apostas passa a carregar avisos no mesmo modelo das tarjas de cigarros e remédios, admitindo no próprio anúncio que apostar pode causar dependência e perda de dinheiro.

Esse formato de alerta tem efeito prático sobre a percepção do consumidor. Ao transformar o aviso em parte obrigatória da peça, o governo dificulta que a mensagem de risco seja escondida em letras miúdas ou em rodapés que ninguém lê, aproximando a propaganda de apostas do tratamento reservado a produtos reconhecidamente nocivos.

O que fica proibido na propaganda

Além dos avisos, as portarias listam práticas que deixam de ser permitidas. Ficam vedadas campanhas que criem senso de urgência para empurrar o consumidor a apostar naquele momento, como contagens regressivas e ofertas relâmpago desenhadas para tirar do apostador o tempo de refletir.

Também está proibido usar a credibilidade de jornalistas, comentaristas esportivos, especialistas e influenciadores para induzir o público a jogar. A divulgação de históricos de grandes premiações, aquelas peças que mostram apostadores comemorando fortunas, passa a ser barrada, porque cria a falsa impressão de que ganhar é comum e acessível a qualquer um.

A proteção a crianças e adolescentes recebeu atenção especial, com o governo anunciando tolerância zero para qualquer publicidade dirigida a menores. As pessoas que aparecem nas peças devem aparentar mais de 21 anos, para afastar a associação entre o jogo e o universo jovem. Quem quiser entender o alcance dessas regras pode acompanhar também a responsabilidade de influenciadores por publicidade oculta e propaganda enganosa, tema que caminha lado a lado com o novo cerco às apostas.

Penalidades para quem descumprir

As regras vêm acompanhadas de sanções pesadas, o que sinaliza a disposição do governo de fiscalizar de verdade. A operadora que descumprir as normas pode levar multa de até 20% do faturamento, um valor capaz de doer mesmo nas maiores empresas do setor.

A punição pode escalar. Além da multa, a plataforma está sujeita à suspensão das atividades por até 180 dias e, em casos graves ou de reincidência, à cassação definitiva da autorização para operar no Brasil. Perder a licença significa, na prática, ser expulsa do mercado legal de apostas.

Ao responsabilizar também veículos e agências, o governo cria um incentivo para que a própria indústria da comunicação recuse anúncios de plataformas irregulares. O receio de responder junto tende a funcionar como filtro adicional, reduzindo o espaço das operadoras clandestinas.

O que muda na prática

Para quem assiste a um jogo de futebol ou navega nas redes sociais, a mudança será perceptível. Os anúncios de apostas continuarão existindo, mas passarão a vir acompanhados de avisos que admitem o risco de perda e de dependência, o que ajuda o consumidor a decidir com mais informação.

Na prática, isso significa que fica mais fácil separar o que é legal do que é golpe. Se uma plataforma anuncia sem exibir os alertas obrigatórios, ou se promete enriquecimento rápido usando influenciadores e históricos de prêmios, há um forte indício de irregularidade. Desconfiar desse tipo de propaganda é o primeiro passo para não cair em armadilha.

O apostador que se sentir enganado por publicidade abusiva, ou que identificar uma casa operando sem autorização, pode reunir prints, links e comprovantes e buscar orientação jurídica para avaliar pedidos de reparação. O mesmo vale para famílias que enfrentam prejuízos causados por jogo compulsivo, cenário em que a análise de responsabilidade das plataformas ganha relevância. Para contexto, vale acompanhar o debate entre proibir ou regular as apostas esportivas no Brasil, que ajuda a entender de onde vieram essas medidas.

Do lado das empresas, a adaptação precisa ser rápida, já que o prazo entre a públicação e a vigência é curto. Campanhas em veiculação terão de ser revistas, contratos com influenciadores reavaliados e peças antigas retiradas do ar para evitar as multas e a suspensão previstas nas portarias.

Perguntas Frequentes

A partir de quando as casas de apostas precisam exibir os avisos?

As duas portarias foram publicadas em 10 de julho de 2026 e começam a produzir efeitos em 17 de julho. A partir dessa data, toda propaganda de operadora autorizada precisa trazer uma das advertências oficiais sobre o risco de perder dinheiro, de dependência e de que aposta não é investimento. O prazo curto entre a públicação e a vigência obriga as empresas a revisar rapidamente suas campanhas para não ficarem em situação irregular logo no início das novas regras.

Influenciadores ainda podem divulgar plataformas de apostas?

As regras proíbem o uso da credibilidade de influenciadores, comentaristas e especialistas para induzir o público a jogar. Na prática, cai a propaganda que se apoia na confiança dessas figuras para estimular apostas, sobretudo quando associa o jogo a sucesso ou renda fácil. Além disso, as pessoas que aparecem nas peças devem aparentar mais de 21 anos, e há tolerância zero para conteúdo dirigido a crianças e adolescentes. O influenciador que descumprir pode responder junto com a operadora pela divulgação irregular.

Como reconhecer uma propaganda de apostas irregular?

Um sinal claro é a ausência dos avisos obrigatórios sobre risco de perda e dependência, que passam a ser exigidos em cada anúncio. Também levantam suspeita as peças que criam urgência artificial, prometem enriquecimento rápido ou exibem apostadores comemorando grandes prêmios. Plataformas sem autorização para operar no país não podem anunciar, então vale checar se a casa é regularizada. Diante de indícios de irregularidade ou de prejuízo causado por publicidade abusiva, guardar prints e comprovantes e buscar orientação jurídica são atitudes recomendadas.

Base legal citada

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