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Contagem Recíproca de Tempo Entre RGPS e RPPS

A contagem recíproca permite que o trabalhador some o tempo de contribuição do regime geral (RGPS) com o do regime próprio (RPPS) para fins de aposentadoria. Esse mecanismo é fundamental para quem transitou entre o setor privado e o serviço público.

O que é a contagem recíproca de tempo

A contagem recíproca de tempo de contribuição é o mecanismo constitucional que permite a soma de períodos contributivos cumpridos em regimes previdenciários distintos. Prevista no artigo 201, parágrafo 9º, da Constituição Federal e regulamentada pela Lei 8.213/91 e pela Lei 9.796/99, ela viabiliza que trabalhadores migrem entre o setor público e o privado sem perder o tempo já contribuído.

Na prática, um servidor público que antes trabalhou com carteira assinada pode levar o tempo do RGPS para o RPPS, e vice-versa. O instrumento utilizado para essa transferência é a Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), emitida pelo regime de origem para averbação no regime de destino.

Verifica-se que a contagem recíproca é um direito constitucional do segurado e não pode ser negada pelo regime de destino quando a CTC estiver regular. Trata-se de garantia que assegura a mobilidade entre regimes previdenciários sem prejuízo ao trabalhador.

Certidão de Tempo de Contribuição (CTC)

A CTC é o documento formal emitido pelo regime previdenciário de origem que certifica os períodos de contribuição do segurado. Para obter a CTC do INSS (RGPS), o segurado deve fazer o requerimento pelo Meu INSS ou em uma Agência da Previdência Social. Para a CTC do RPPS, o pedido é feito junto ao órgão público onde o servidor trabalhou.

A CTC deve conter informações detalhadas sobre os períodos de contribuição, as remunerações correspondentes e a indicação de que não há utilização do tempo para outro fim. O artigo 130 do Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99) estabelece os requisitos formais do documento.

A contagem recíproca de tempo de contribuição é o mecanismo constitucional que permite a soma de períodos contributivos cumpridos em regimes previdenciários distintos.

Analisa-se que a emissão da CTC pelo INSS está condicionada à existência dos registros no CNIS. Caso haja períodos sem registro ou com informações incorretas, o segurado deve primeiro solicitar a retificação do cadastro para depois requerer a certidão.

Compensação financeira entre regimes

A contagem recíproca exige compensação financeira entre os regimes envolvidos. Isso significa que o regime que concede a aposentadoria deve ser ressarcido pelo regime de origem pelo tempo utilizado. Essa compensação é feita entre os entes federativos, sem custo direto para o segurado.

A Lei 9.796/99 regulamenta a compensação previdenciária entre o RGPS e os RPPS. Na prática, quando um servidor público se aposenta pelo RPPS utilizando tempo do RGPS, a União (INSS) compensa financeiramente o ente federativo que concedeu a aposentadoria.

Verifica-se que a compensação financeira é questão entre os regimes e não deve ser utilizada como argumento para negar ou atrasar a contagem recíproca. O segurado não precisa aguardar a efetivação da compensação para ter seu tempo reconhecido e averbado no regime de destino.

Vedação à contagem em dobro e tempo concomitante

A legislação proíbe a utilização do mesmo período de contribuição em mais de um regime previdenciário. Se o trabalhador exerceu atividade simultaneamente no setor público e no privado, cada período só pode ser utilizado em um dos regimes, devendo optar pelo mais vantajoso.

A vedação à contagem em dobro também se aplica: um período utilizado para aposentadoria no RGPS não pode ser aproveitado para aposentadoria no RPPS. A CTC, uma vez emitida e averbada, vincula o tempo ao regime de destino, impedindo sua reutilização no regime de origem.

Analisa-se que situações de tempo concomitante são comuns entre profissionais que acumulam cargo público com atividade privada. Nesses casos, o planejamento previdenciário é fundamental para definir a melhor estratégia de utilização dos períodos contributivos em cada regime.

Situações práticas e jurisprudência

A jurisprudência dos Tribunais Superiores tem consolidado diversos entendimentos sobre a contagem recíproca. O STF decidiu que a exigência de certidão de tempo de contribuição para a contagem recíproca é constitucional, não podendo ser dispensada mesmo quando o tempo consta em outros documentos (RE 1.338.750).

O STJ, por sua vez, firmou que o tempo de contribuição como contribuinte individual ou facultativo no RGPS pode ser objeto de contagem recíproca para o RPPS, desde que as contribuições estejam devidamente recolhidas. Períodos em débito impedem a emissão da CTC.

Verifica-se que ex-servidores públicos que migraram para a iniciativa privada frequentemente enfrentam dificuldades para obter a CTC do RPPS, especialmente quando o ente federativo de origem possui estrutura administrativa precária. Nesses casos, a via judicial pode ser necessária para garantir a emissão do documento e a averbação do tempo no INSS.

Perguntas Frequentes

Quem pode utilizar a contagem recíproca de tempo?

Qualquer trabalhador que tenha contribuído para mais de um regime previdenciário (RGPS e RPPS) pode utilizar a contagem recíproca. O mecanismo se aplica a empregados que ingressaram no serviço público, servidores que migraram para a iniciativa privada e profissionais que transitaram entre cargos em diferentes esferas da federação.

Como solicitar a CTC junto ao INSS?

A solicitação é feita pelo portal ou aplicativo Meu INSS, na opção “Certidão de Tempo de Contribuição”. O INSS analisará o pedido com base nos registros do CNIS e, estando regulares as contribuições, emitirá a certidão em até 30 dias. Contribuições em atraso devem ser regularizadas antes do pedido.

O segurado precisa pagar algo para fazer a contagem recíproca?

Não. A contagem recíproca é gratuita para o segurado. A compensação financeira entre os regimes (RGPS e RPPS) é feita diretamente entre os entes federativos, conforme a Lei 9.796/99. O único custo eventual é a regularização de contribuições em atraso, caso existam períodos sem recolhimento.

Base legal citada

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